Apesar de acreditar quea fotografia (ou as qualidades fotográficas de uma imagem) não pode ser enquadrada geograficamente, devo fazer uma exceção e dizer que Pedro Garrido éum fotógrafo de espírito carioca.

E vou além. Não só deespírito, mas de alma, de objetiva, de sujeitos fotografados, de lugares retratados, de luzes, de cores, de sorrisos, de personagens. De resultado. O bom humor, a alegria de viver, a vontade de ver a vida de perto e a energia carioca estão encapsulados em cada pixel de suas fotos. Pedro tem um olhar franco que dirige com extrema naturalidade aos personagens fotografados, deixando que se mostrem com naturalidade, sem artifícios nem paraísos linguísticos artificiais. Registra o que seus olhos enxergam com uma simplicidade espartana que transforma seu olhar em disparo certo para onde for que ele apontar sua câmera.

Uma das ideias por trás do ato de fotografar é a de que aproxima as pessoas. Pedro Garrido não se contenta com isso, decidiu editaruma revista para juntar todo mundo de quem ele gosta, tem curiosidade em conhecer ou gostaria de estar perto. A revista se chama Vizoo e faz 17 anos que ela comparece regularmente nas bancas e em tablets  para contar para quem estiver interessado em saber o que é que o Pedro acha interessante. A Vizoo é uma revista solitária, no sentido independente de qualquer grande editora, mas ao mesmo tempo Garrido é um nome forte na fotografia brasileira. Luiz Garrido, o pai de  Pedro, é um dos grandes nomes da fotografia nacional.

Nunca é tarefa fácil carregar o estandarte de qualquer dinastia. Muito menos a dos Garrido, o que Pedro faz com extrema galhardia e coragem. O retrato, forma de conhecer, e reconhecer, o próximo, está presente na família. Seu pai o faz essencialmente em branco e preto; já Pedro circula tranquilamente tanto entre as cores puras, reais e vibrantes, quanto na verdade intrínseca da imagem em preto e branco. O contato direto com os fotografados, a naturalidade e a construção do movimento são caraterísticas fundamentais nas imagens de Pedro. Ele sabe, como poucos, desvendar a alma dos fotografados através da leitura das formas, e das posturas, das personalidades capturadas pelo seu olhar inquieto e divertido. Pedro Garrido fotografa com a mesma leveza e naturalidade com que respira. Equando o faz, as duas coisas, vai fundo. Sempre.

JR Duran


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